O Projeto Pomares Mata Atlântica- Conexões da Sociobiodiversidade avança no Vale do Ribeira com planejamento dos Sistemas Agroflorestais

Em uma das regiões de maior presença da Mata Atlântica no estado de São Paulo, 18 propriedades já passaram pela primeira etapa de acompanhamento e avançam para o planejamento dos plantios

É nesse contexto que o Projeto Pomares Mata Atlântica, Conexões da Sociobiodiversidade atua em quatro territórios: Vale do Ribeira, Região Metropolitana de Sorocaba, Região Metropolitana de Campinas e região do Baixo Sul da Bahia, junto a agricultores familiares e pequenos e médios proprietários rurais

Com a meta de plantar 100 mil mudas, o projeto apoia a construção de sistemas produtivos mais diversos, considerando as características de cada propriedade, os conhecimentos das famílias e as potencialidades de cada território.

O trabalho começa pelo território

No Vale do Ribeira, a técnica rural do projeto, Amanda Alves, acompanha 18 propriedades distribuídas por nove municípios: Peruíbe, Pedro de Toledo, Miracatu, Juquiá, Registro, Sete Barras, Cananéia, Itariri e Iguape.

Todas já passaram pela primeira etapa de diagnóstico. Esse primeiro contato permitiu conhecer as áreas, identificar suas características e compreender as atividades que já fazem parte da rotina das famílias.

Agora, o trabalho entra em uma nova fase: a organização da logística para entrega dos insumos e das mudas selecionadas para cada propriedade. A escolha das espécies considera as características das áreas, os objetivos das famílias e as possibilidades produtivas de cada sistema.

A proposta é que cada SAF seja construído de acordo com a realidade da propriedade, seus potenciais produtivos e os objetivos de cada família.

Em Juquiá, o Sítio do Bigode pode ajudar a contar essa história

Entre as propriedades acompanhadas no Vale do Ribeira está o Sítio do Bigode, em Juquiá, onde vive Angela Maria A. Martinez. A propriedade já reúne diferentes atividades produtivas, como o cultivo de alimentos, a presença de árvores nativas e um lago utilizado como pesqueiro.

Parte da produção também é transformada pela família em geleias, antepastos artesanais e outras preparações, que ajudam a compor a renda e encontram espaço de comercialização no mercado local com a marca @‌ampalmito_ecia.

É a partir dessa realidade que o projeto começa a construir uma nova possibilidade para a propriedade. Uma área atualmente utilizada como pasto foi escolhida para a implantação de um Sistema Agroflorestal, metodologia que poderá ser acompanhada de perto ao longo das diferentes etapas de implantação.

A proposta é que o novo SAF faça parte das atividades produtivas que a família já desenvolve no sítio, ampliando a diversidade de cultivos e, no futuro, contribuindo para a produção de geleias, antepastos e outros produtos a partir dos frutos dos Pomares da Mata Atlântica. A expectativa é que essa nova produção também abra espaço para o desenvolvimento de novos produtos e amplie as possibilidades de comercialização da família.

Para Angela, a participação no projeto representa uma oportunidade de diversificar a produção e criar novas alternativas de geração de renda, aproveitando a experiência que a família já possui no cultivo e processamento de alimentos.

Para Amanda, a área também apresenta uma oportunidade para acompanhar a implantação de um SAF modelo e observar, ao longo do tempo, como o sistema se desenvolve.

Assim, o trabalho parte do que a propriedade já tem: produção, conhecimento e uma atividade econômica em andamento, para construir, junto com a família, novas possibilidades de uso da terra.

Restaurar também pode significar produzir

A experiência do Sítio do Bigode ajuda a traduzir uma das ideias centrais do Conexões da Sociobiodiversidade: restaurar áreas rurais pode caminhar junto com a produção e a geração de renda para as famílias.

Nos Sistemas Agroflorestais, espécies arbóreas e agrícolas compartilham o mesmo espaço, ampliando a diversidade produtiva e contribuindo para a recuperação do solo, da biodiversidade e da resiliência das propriedades.

No Vale do Ribeira, essa proposta ganha ainda mais sentido pela forte presença da Mata Atlântica e pela relação das famílias com a floresta. O desafio é encontrar formas de produzir em diálogo com a paisagem, ampliando a diversidade e criando novas possibilidades para quem vive e trabalha no território.

O projeto segue evoluindo na região do Vale

Com a primeira etapa de acompanhamento concluída nas 18 propriedades, o trabalho avança para o planejamento dos plantios. Após a definição das áreas e escolha das espécies, a fase atual engloba: organização dos insumos e logística de entrega. Novas visitas serão realizadas para conferir e ajustar os planejamentos antes da implantação.

O trabalho parte da realidade de cada propriedade para conciliar produção, biodiversidade, recuperação ambiental e geração de renda. Mais do que planejar novos plantios, o projeto constrói, junto às famílias, caminhos possíveis para que árvores, cultivos e oportunidades econômicas possam crescer juntos no território.

O Projeto Pomares Mata Atlântica, Conexões da Sociobiodiversidade é realizado pelo Instituto Auá, em parceria com a Fundação Banco do Brasil e a BB/DIRAG.

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