Cinturão Verde tem avaliação dos serviços ecossistêmicos e ganhará publicação

O Cinturão Verde de São Paulo representa exatamente o que o nome diz, um círculo de natureza no entorno da metrópole, compreendendo 78 municípios em seu interior e o reconhecimento da UNESCO como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (RBCV). Com isso, visa demonstrar que cidades e ecossistemas naturais podem ser geridos de forma integrada, impulsionando o desenvolvimento sustentável em toda a região.

Além da impressionante biodiversidade que ainda habita em mais de 6 mil km2 de Mata Atlântica – dentro dos 17 mil km2 compreendidos pelo Cinturão Verde – a população desses municípios, incluindo a capital, sobrevive graças aos serviços prestados pelos ecossistemas preservados. Seu bem-estar está relacionado aos benefícios da natureza, como provisão de água e alimento, regulação do clima ou da qualidade do ar, manutenção de paisagens para o lazer e turismo, da própria biodiversidade, dos solos, entre outras qualidades.

No mundo, desde 2001, especialistas de 95 países trabalharam para construir a chamada Avaliação Ecossistêmica do Milênio, para conhecer as condições dos serviços ecossistêmicos do planeta e sua relação com o bem-estar humano. Em 2005, a Avaliação revelou que a humanidade havia modificado seus ecossistemas nos últimos 50 anos mais rapidamente do que em qualquer intervalo da história, comprometendo até 60% desses serviços ecossistêmicos mundiais, que já se encontravam degradados e usados de forma não sustentável. Até 30% das espécies de mamíferos, aves e anfíbios também estavam ameaçadas de extinção.

Agora a RBCV trabalha para efetivar a Avaliação Subglobal do Cinturão Verde de São Paulo, aplicando a mesma metodologia da Avaliação Ecossistêmica do Milênio, consagrada nas Nações Unidas, para as particularidades dessa região e seus ecossistemas. Com condução pelo Instituto Florestal, Fundação Florestal (ambos da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo), Associação Holística de Participação Comunitária e Ecológica (AHPCE), e uma série de parceiros e especialistas, o conhecimento reunido até o momento dará origem a uma publicação, com lançamento previsto para o final de 2013.

“O livro Serviços Ecossistêmicos e Bem-estar Humano na RBCV é uma ferramenta de conscientização e mobilização para o valor da região e para os riscos de perda desses serviços, além de um produto estratégico para obtenção de recursos voltados à conservação do Cinturão Verde. Com base num diagnóstico dos serviços, na análise dos vetores de alteração e na correlação com o bem-estar humano, oferece suporte aos tomadores de decisão dos três setores da sociedade, para respostas que evitem os cenários ambientais menos favoráveis”, expressa Bely Pires, diretora da AHPCE e uma das organizadoras do material.

De fato, só o conhecimento da função e da importância desses serviços pode mobilizar os que deles dependem, de empresários e cientistas, a políticos e representantes da sociedade civil que habitam a região. Se o Cinturão Verde sustenta o bem-estar de aproximadamente 23 milhões de pessoas, a urbanização desenfreada, o uso e ocupação do solo inadequados, a poluição e outros impactos já são uma ameaça relevante aos seus últimos remanescentes.

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